Quando a teoria não basta: os riscos éticos e técnicos de uma formação sem prática clínica. Por que confiar apenas em diplomas compromete o trabalho em Psicanálise.
- Rui Sibilio

- 7 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
A Psicanálise exige muito mais do que um diploma. Confiar apenas na formação acadêmica — graduação ou pós-graduação — para sustentar a prática clínica é um erro que traz consequências sérias, tanto para o paciente quanto para a psicóloga, sobretudo quando o objetivo é consolidar o consultório psicanalítico mesmo nos primeiros atendimentos.

Do ponto de vista técnico, a ausência de experiência prática gera insegurança. Sem vivência no consultório, o manejo dos fenômenos inconscientes tende a ser frágil. Interpretações podem ser precipitadas, defesas não são reconhecidas e transferências passam despercebidas. Em outras palavras, o trabalho corre o risco de se reduzir a uma conversa comum, esvaziando o método psicanalítico.
No campo ético, o problema se torna ainda mais grave. Uma prática sem preparo pode expor o paciente a intervenções inadequadas ou superficiais, comprometendo sua confiança no processo e até agravando seu sofrimento. A ética em Psicanálise não se limita a códigos de conduta: ela se manifesta na competência técnica e na fidelidade aos princípios que sustentam o método.

Freud deixou claro que a Psicanálise nasceu da clínica. Quando a formação se afasta dessa origem e se apoia apenas em aulas e diplomas, corre-se o risco de descaracterizar a própria Psicanálise. Isso não é apenas uma falha formativa, mas uma ameaça à qualidade e à legitimidade do trabalho clínico psicanalítico.
É por isso que o tripé formativo — análise pessoal, supervisão clínica e seminários — continua indispensável. Ele garante não apenas aprendizado técnico, mas também responsabilidade ética diante do paciente. Sem essa base, a atuação clínica se fragiliza e a própria identidade profissional fica comprometida.
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